Viva la Vida
Antes de mais, quero esclarecer uma coisa: não gosto dos Coldplay.
Qualquer crítica que seja digna desse nome tem de ser parcial, tem de assumir uma posição e tentar defende-la o melhor possível.
Ainda assim, o meu momentaneo interesse por este grupo de baladas feitas para encher tantas horas de rádios e de pubs sem caractér reside noutro facto: a capa do seu último album, Viva La Vida.
Ando há dias a tentar entender a lógica do criativo que esboço semelhante imagem. Vejamos:
A imagem de fundo é a famosa pintura de Delacroix, A Liberdade Guiando o Povo (1830), que, ao contrário do que muitos pensam, não é uma alegoria dos acontecimentos do 14 de Julho de 1789 mas celebra a revolução também de Julho, (o que me leva a pensar que deve haver qualquer curiosa relação entre o espírito revolucionário francês e os meses quentes!) de 1830.
Delacroix, revoluções sanguinentas e baladas lamechas. Já perdi o fio à meada e ainda nem comecei. Há algo de muito estranho nesta capa.
Continuando a minha, leitura, aceito o convite a acreditar que um qualquer idiota tenha entrado no Louvre armado com um balde de tinta branca e um pincel e que tenha conseguido escrever em letras garrafais sobre o quadro: ‘Viva La Vida’. Revolução e celebração de vida. Hum. Apesar de grande parte das figuras representadas por Delacroix estarem mortas, consigo perceber a relação. Mas porquê em espanhol? E porquê em espanhol, sobre um quadro francês, se estamos a falar de um grupo inglês? Euro-trash? Ecletismo cultural ao nível do andar da porteira? Pan-europeismo popularista? Não percebo.