do que nos une a todos: email a um código genético comum
Pedro,
como estás?
a mim custa-me a pensar em tudo.. estes são dias estranhos… por um lado estou atordoada, não consigo bem pensar, trabalhar, escrever.. por outro tenho vontade de seguir em frente e não pensar muito em tudo, porque faz-me mal.
mas penso muito em ti.
creio que deve ser muito dificil estar nessa casa, habitar os mesmos espaços que em que vês o avô em cada gesto, em cada esquina…
tenta também distrair-te: és muito novo, tens toda uma vida pela frente e as memórias são fundamentais para a construção de nós próprios, são o que nos dá a nossa identidade e a nossa estrutura. e devem servir a isso mesmo: a sermos orgulhosos de onde vimos e a continuar uma estrada iniciada por aqueles que são – e serão sempre – carne da nossa carne, sangue do nosso sangue, vida da nossa vida.
nisso temos um pedaço do avô: no nosso corpo, na nossa mente, ele vive em nós, através de nós, e não somente pelas nossas actividades e pensamentos, mas também fisicamente.
nisto acredito piamente e sinto-me feliz e honrada por sentir que este percurso é feito, por vias paralelas, ainda que tanto distantes, contigo.
um beijo grande, gosto muito de ti,
força
é muito bom quando nos orgulhamos das nossas memórias
é muito bom quando temos memórias